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  Forças Armadas (minha "forças amadas")
 

Fonte: O artigo a seguir pode ser encontrado no link:
http://www.gpstesouro.com/Cronicas/Forcas_Armadas.htm


 

Certos assuntos são complicados de tratar ou escrever. Mas com respeito, cuidado e sinceridade se suplanta qualquer dificuldade. A questão de quem será o Ministro da Defesa é por demais badalada no nosso meio e, como cronista para eu mesmo, não posso deixar de me exercitar e complementar este site, registrando meu parco ponto de vista.

 

Uso a farda das Forças Armadas a mais de 15 anos e acho que estou migrando do grupo de militares junior para militares sênior. Não abandonarei nunca a posição de pica-fumo (por falta de cacife), porém já consigo dar uma boa tragada sem pigarrear. Não há cunho de politização em minhas palavras, apenas uma ainda opaca visão estratégica angariada com os anos de marchas. Antes marchava completamente às cegas.

 

Tive numa certa feita a incumbência de explicar para garotos de 8 a 12 anos a função das Forças Armadas: tratava-se da Semana da Pátria. Temos o mau hábito de subestimar as crianças e foi o que fiz. Adotei um paralelo para desembocar minha missão.

 

Desenhei de um lado da lousa uma casa ladeada por cerca e do outro lado o mapa do Brasil. Pedi para que eles identificassem no desenho similaridades com sua própria casa. Tem porta? Tem janela? Tem muro? Tem quintal?

 

Perguntei se eles costumavam brincar de futebol no quintal, conseguindo o positivo daqueles que tinham quintal (quintal, não Quintão). Comecei a historinha para "boi dormir": façam de conta que após a brincadeira, a bola seja esquecida no quintal. Vocês gostariam que alguém pulasse o seu muro para levar embora a bola? Tive um ressonante "NÃO" como resposta. Com o mesmo objetivo, fiz referência a uma roupa deixada pela mãe deles no varal para secar. Novamente obtive um "NÃO" ao infortúnio de uma visita funesta de um larápio. Como se tratavam de crianças, não quis forçar a barra fazendo menção a um invasor mal intencionado com o intuito de desonrar, denegrir ou privar da liberdade seus entes queridos.

 

Pois bem, vamos tomar uma medida para evitar a possibilidade de tais afrontas. Coloquemos um cão feroz a cuidar dos limites das nossas propriedades.

 

Sim, o cão feroz (não só o engodo no portão escrito "cuidado cão feroz") foi o paralelo que encontrei para explicar a função das Forças Armadas no âmbito do extraordinário território brasileiro. Mais uma vez os subestimando, mesmo a gurizada que morava em apartamento entendeu a mensagem ... QSL total. E aqui termina a historinha para as crianças.

 

O problema atual (para dizê-lo, quem sou eu?) é que o cão anda meio velho (desdentado), parece que está com lepra (mal amado e cuidado) e com inanição (não tem almoço). E o pior, acredito que a doutrina mudou e muito devido a tecnologia, mas os manuais, normas e equipamentos não se aperceberam disso.

 

Como desgraça pouca é bobagem, existe uma águia (com tecnologia de ponta) que anda à espreita. Trata-se de uma águia com garras bizarras e visão privilegiada e exclusiva (face ao seu vôo solo), que se acha dona do mundo (talvez, atualmente, de fato o seja). Não sei, mas tenho a impressão que estão achando uma boa idéia terceirizar o serviço de segurança nacional à onipotente e arrogante águia, face o tamanho descaso com o cão. É sabido por todos que o cão e a águia são fiéis e odedientes, única e exclusivamente, ao seu dono (quando os alimenta devidamente). Da águia não somos o dono (nem muito queridinhos do Tio Sam) e o nosso cão anda sendo rechaçado (inclusive na hora do almoço, por falta de verba).

 

Realmente, talvez o cão não seja o animal mais adequado para o emprego atualmente (mudança doutrinária), já que até os muros foram derrubados pela globalização. Não temos águia, mas que tal um carcará bem adestrado, alimentado e com garra postiça porém eficaz para realizar estrago (capacidade dissuasória com táticas heterodoxas à la Sun Tzu). É preciso, emergencialmente, voar com a tecnologia mas, por favor, de nada adiantará propor o simpático canarinho da seleção brasileira para substituir o cão faminto. Pobre do canarinho, frente à águia!

Faço votos que a campanha de combate à fome do nosso novo Governo seja incisiva a todos que tem fome e precisam ser alimentados, incluindo-se o cão ou carcará. Que não sejam meras esmolas; e sim, verdadeiras oportunidades.

 

 

 

Transcrito do Jornal Island Times

 

(Navio norte-americano): Desvie sua rota meio grau para o sul, para evitar colisão.

 

(Canadense): Recomendo que vocês desviem o curso de 15 graus para o sul, para evitar uma colisão.

 

(Navio norte-americano): Aqui é o capitão de um navio da Marinha dos Estados Unidos. Repito: desvie sua rota.

 

(Canadense): NÃO, eu repito: desvie sua rota.

 

(Navio norte-americano): AQUI É O PORTA-AVIÕES USS MISSOURI. SOMOS UMA GRANDE NAVE DE GUERRA DA MARINHA NORTE-AMERICANA. DESVIE SUA ROTA, AGORA!

 

(Canadense): Você está falando com um farol costeiro.

 

 

 

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