A teoria da Terra oca afirma que a Terra não é um
esferóide sólido, mas sim oca com aberturas no pólos. No seu interior
viveria uma civilização tecnologicamente avançada, cujos integrantes às
vezes vêm para a superfície em OVNIs. Existem variantes desta teoria,
inclusive uma em que nós vivemos no interior da Terra oca. Esta última é a
teoria da Terra invertida, que se confunde com as diferentes versões da
teoria da Terra oca.
A Terra oca
No fim do século XVII, o astrônomo inglês Edmund Halley propôs
um modelo no qual a Terra seria composta por quatros esferas concêntricas
e cuja a atmosfera luminosa, ao escapar para a atmosfera superior, seria
responsável pela aurora boreal.
Halley (1656-1742) foi astrônomo real e durante 18 anos estudou os
movimentos da Lua, publicando um importante tratado chamado Astronomiae Cometicae Synopsis (Sinopse sobre
Astronomia Cometária). Ele foi o primeiro a calcular a órbita de um cometa
e neste tratado provou que os cometas possuem órbitas elípticas em torno
do Sol e que, por isso, retornavam periodicamente. Ele previu que o cometa
de 1682 retornaria em dezembro de 1758. Quando o cometa retornou, foi
batizado em homenagem a Halley, que não viveu para vê-lo aparecer nos céus
em 25 de dezembro de 1758.
Halley propôs esta teoria para explicar
anomalias no campo magnético da Terra que causavam interferência nas
bússolas. Além disso, ele tinha notado que o campo magnético da Terra
estava variando lentamente. Então, primeiramente, ele teorizou que a Terra
era constituída de uma casca com um núcleo, cada um com diferentes pólos
norte e sul magnéticos e velocidades de rotação, o que explicaria as
variações no campo magnético em diferentes partes da Terra, assim como a
variação do norte magnético. Porém, de forma a ajustar sua teoria a novos
dados, Halley teve que incluir mais três núcleos internos um dentro do
outro. Segundo ele, estes núcleos eram do tamanho de Marte, Vênus e
Mercúrio. (Hoje em dia sabemos que a parte mais externa do núcleo da Terra
composto de ferro derretido está em permanente movimento convectivo o que
causa o campo magnético da Terra, assim como suas variações
periódicas).
Para que sua teoria se adequasse à sua visão
religiosa, Halley imaginou que se Deus populou cada parte da superfície
terrestre com seres vivos, Ele deveria ter feito o mesmo com os núcleos
internos. E como estes seres vivos necessitariam de luz para viver, a
atmosfera interior deveria ser luminosa.
Durante o século XVIII,
outros matemáticos modificaram a teoria de Halley sem nunca refutá-la. O
suíço Leonard Euler rejeitou a noção de vários núcleos interiores, mas
acreditava que existia um sol interior que fornecia calor e luz para os
habitantes tecnologicamente avançados do mundo interior. E o escocês Sir
John Leslie, por sua vez, acreditava que existiam dois sóis que ele chamou
de Plutão e Proserpina.
No século XIX, o veterano da guerra de
1812, John Symmes foi um difusor tão entusiasmado da teoria das camadas
concêntricas, que a suposta abertura para o mundo interior ficou conhecida
como Buraco de Symmes. (Sua teoria era uma mistura da teoria de Halley com
a de Euler). Ele chegou a propor o envio de uma expedição ao Pólo Norte
para verificar a existência desta entrada.
Os autores de ficção
científica também se interessaram pelo tema. Julio Verne escreveu Viagem
ao Centro da Terra em 1864 e Edgar Rice Burroughs (1875-1950), criador do
personagem Tarzan, escreveu vários romances passados no interior da Terra
oca.

A Terra invertida
Em 1869,
Cyrus Reed Teed, herbalista e autoproclamado alquimista, disse ter tido
uma visão na qual uma mulher disse a ele que nós estamos vivendo dentro da
Terra oca. Ele começou a difundir estas idéias em panfletos, discursos e
até fundou um culto chamado Os Koreshans (koresh é o hebraico para cyrus).
Teed não sabia na época, mas a geometria moderna e o espaço curvo de
Einstein tornam a teoria matematicamente irrefutável do ponto de vista
teórico. Se a superfície terrestre fosse geometricamente invertida, a
superfície interna reproduziria todos os fenômenos físicos que nós
observamos (veja a explicação). Mesmo os efeitos astronômicos teriam
algum tipo de contrapartida: o Sol seria pequeno e estaria no centro da
Terra, com um lado escuro e outro claro. As estrelas e planetas seriam
realmente pontos minúsculos de luz minúsculos bem próximos de
nós.

A Terra oca II
Willian Reed publicou, em 1906, The Phantom Poles, no qual ele
afirmava que nenhuma expedição tinha atingido os pólos simplesmente porque
eles não existiam, pois na realidade eles seriam entradas para o mundo
interior.
Enquanto alguns se contetaram apenas em teorizar sobre a
terra interior, outros como Olaf Jansen afirmavam ter estado e vivido lá.
Jansen era um marujo norueguês que foi morar em Glendale, Califórnia e
perto de morrer aos noventa e nove anos de idade, ele revelou sua história
fantástica para o escritor Willis George Emerson que a publicou em 1908 no
livro "The Smoky God".
Em 1913, Marshall B. Gardner publicou
"Journey to the Earth's Interior". Neste livro ele refutava veementemente
a teoria das esferas concêntricas, porém afirmava que existia um sol de
965km (600 milhas) de diâmetro no interior da Terra e as entradas para o
interior seriam no pólos.

Finalmente, em 1926, Richard E. Byrd sobrevoou o Pólo Norte e,
em 1929, o Pólo Sul, provando que não haviam entradas nos pólos. Mas os
defensores da teoria da Terra oca afirmam que Byrd, na realidade voou para
dentro do mundo interior através das entradas nos pólos. Tudo isso baseado
em passagens do seu diário de bordo onde ele descreveu a Antártica como "a
terra do mistério eterno" e uma vez escreveu "gostaria de ver a terra além
do Pólo (Norte). Aquela área além do Pólo é o Centro do Grande
Desconhecido".
Somente isto basta como evidência para aqueles que
acreditam na Terra oca. E em 1940, Ray Palmer, fundador de várias
publicações sensacionalistas como "FATE", "Flying Saucers form Other
Worlds" e "The Hidden Word", se juntou a Richard Shaver e criaram o Mistério de Shaver, uma lenda sobre o mundo interior e
seus habitantes tecnologicamente avançados. Palmer chegou a afirmar que
viveu entre estes habitantes do mundo interior.
Durante a Segunda
Guerra Mundial, o aviador alemão Peter Bender despertou atenção do governo
nazista com suas elaborações sobre o koreshantismo. Existem boatos de que Hitler acreditou na teoria da Terra oca de
Cyrus e que teria enviado, em abril de 1942, o Dr. Heinz Fischer em uma
expedição à ilha báltica de Rugen, a fim de fotografar a frota inglesa com
câmaras de infravermelho através da Terra oca.
Em março de 1959, o
submarino nuclear americano Skate navegou sob a calota polar e emergiu no
Pólo Norte geográfico. Foram utilizados equipamentos de navegação inercial
para calcular a rotação da Terra em cada ponto até encontrarem o ponto
exato do eixo de rotação. Além disso, várias medidas da força
gravitacional e leituras de navegação foram realizadas para assegurar que
eles atingiram o Pólo Norte.
Raymond W. Bernard, esotérico e líder
dos rosas-cruzes, publicou em 1964 "The Hollow Earth - The Greatest
Geographical Discovery in History Made by Admiral Richard E. Byrd in the
Mysterious Land Beyond the Poles - The True Origin of the Flying Saucers"
e também "Flying Saucers from the Earth's Interior". Ele alegava estar em
contato espiritual com grandes místicos como o Dalai Lama e que teria
aprendido a teoria da relatividade com a civilização do interior da Terra
antes de Einstein publicá-la. Ele morreu de pneumonia em 10 de setembro de
1965, procurando uma entrada para o mundo interior na América do Sul. Ele
acreditava em quase todas as lendas relativas à Terra oca, inclusive que
os esquimós descendiam do povo do interior e que de vez em quando eles
utilizavam seus OVNIs.
Sua teoria era que a Terra era oca com
paredes de cerca de 1300km (800 milhas) de espessura e que nos pólos
existiam aberturas de cerca de 2250km (1400 milhas) com bordas que curvam
suavemente para dentro de forma que um viajante por terra, mar ou ar
entraria dentro da abertura sem perceber que estaria entrando no interior
da Terra. E também que os pilotos somente pensam que estão cruzando o pólo
norte geográfico, mas que na realidade eles estão somente seguindo a
"borda magnética" da entrada.
Em 1970, Ray Palmer conseguiu uma
foto do Pólo Norte fornecida pelo Enviromental Science Service
Administration do Departamento de Comércio americano. Esta foto mostra o
Pólo Norte com uma área escura no meio. Para Palmer esta era a prova final
da existência de uma entrada para a terra interior no Pólo. No entanto,
esta foto era uma composição feita por computador de 40.000 fotos tiradas
por satélite em um período de 24h. A intenção era mostrar a Terra vista de
um ponto diretamente acima do Pólo, porém na época do ano que foram
tiradas as fotos a região do Pólo Norte estava permanentemente no escuro
por causa do inverno ártico.

Como sabemos que a Terra não é oca
Geocientistas catalogam as ondas sísmicas geradas por
terremotos, por explosões atômicas e outros fenômenos naturais ou não e
medem a intensidade, velocidade, ângulo de incidência e atenuação das
mesmas. As ondas sísmicas geradas na crosta terrestre possuem uma
determinada velocidade que depende da densidade do meio em que estas
viajam, isto somado ao fato de que o ângulo de incidência destas ondas
também muda ao atravessar de um meio para outro (semelhante a um prisma
que desvia e decompõe a luz do Sol) permite gerar imagens do interior da
Terra denominadas tomografias sísmicas que são semelhantes às tomografias
computadorizadas realizadas em hospitais (veja mais detalhes).
Por estas
imagens sabemos que a Terra possui três camadas principais: a
primeira constituída de granito e basalto com cerca de 40km (25 milhas) de
espessura, a segunda, um manto de rocha líquida de aproximadamente 3200km
(2000 milhas) de espessura e finalmente, um núcleo central de ferro e
níquel derretido com algo em torno de 6400km (4000 milhas) de
diâmetro.
Estas imagens têm trazido grandes surpresas. Por exemplo,
descobriu-se que o núcleo da Terra não é uma esfera lisa, mas cheia de
montanhas com vários quilômetros de altura e vales seis vezes mais
profundos que o Grande Cânion.
Apesar das evidências irrefutáveis
aqueles que querem acreditar se agarram a teorias conspiratórias de que os
governos do mundo sabem a verdade, mas não a revelam para não causar
pânico na população. Ou ainda se prendem ao fato de que a ciência moderna
possui várias teorias que vão sendo modificadas com o tempo (e isto é o
que a ciência tem de melhor para nos oferecer), ou que algumas vezes as
teorias correntes para descrever um certo fenômeno são conflitantes (mas
esquecem de mencionar que estes são os casos em que o real mecanismo por
trás do fenômeno ainda não está explicado, daí a não existência de uma
única teoria). Na realidade, a crença no mundo interior nunca irá terminar
pois aqueles que acreditam no mundo interior habitado por civilizações
mais avançadas moral e tecnologicamente procuram um mundo melhor onde os
nossos problemas foram resolvidos. Dessa necessidade quase instintiva de
acreditar neste tipo de paraíso na Terra vêm as lendas de Shangrilá,
Atlântida e tantas outras como a da Terra oca.
A teoria da Terra invertida
As idéias de Cyrus Teed ressurgiram recentemente quando o
matemático egípcio, Mostafa Abdelkader, publicou um artigo em 1983 na
revista "Speculations in Science and Technology" onde ele apresenta o
modelo do geocosmo, como é denominado este modelo do Universo contido
dentro da Terra. Apesar do geocosmo poder explicar inteiramente nosso
Universo, este modelo exige, por exemplo, que a luz necessariamente não
viaje em linha reta e que sua velocidade não seja constante. Além de
outras complicações físicas e matemáticas adicionais, esta teoria não
apresenta nenhuma vantagem sobre a teoria do Universo segundo
Copérnico.
Dentro do princípio da Navalha de Ockham uma teoria mais
complexa só é adotada se apresentar explicações para fenômenos não
previstos por outra mais simples. A Relatividade, por exemplo, apesar de
mais complexa, foi adotada porque explica e prevê fenômenos em escala
astronômica que não são abrangidos pela mecânica newtoniana. O mesmo pode
ser dito para a mecânica quântica em níveis subatômicos.